O Governo Federal vai desembolsar R$ 81,5 milhões para garantir a operação de tráfego em cerca de 676 quilômetros das BRs-324 e 116 na Bahia. O contrato prevê guinchos, ambulâncias, veículos de inspeção, monitoramento eletrônico, combate a incêndios e atendimento a ocorrências.

A medida pode melhorar o socorro aos motoristas, mas também chama atenção para uma questão que há tempos preocupa quem utiliza essas rodovias: por que estruturas tão básicas de atendimento precisam ser contratadas em caráter emergencial enquanto a população continua convivendo com problemas na infraestrutura das estradas?

O trecho entre Salvador e Feira de Santana, pela BR-324, e a BR-116 no sentido de Minas Gerais são corredores fundamentais para o transporte de passageiros e cargas. Milhares de veículos passam diariamente pelas rodovias, que possuem importância econômica não apenas para a Bahia, mas para toda a ligação entre o Nordeste e outras regiões do país.

O contrato firmado pelo DNIT prevê uma estrutura para responder a acidentes, panes mecânicas, incêndios, animais na pista e outras situações que possam comprometer o trânsito. Também está prevista a circulação de veículos de inspeção, com revisita de até 90 minutos em cada trecho.

O problema é que atendimento a acidentes e remoção de veículos não resolvem, por si só, as deficiências estruturais de uma rodovia. Guincho não recupera asfalto, ambulância não corrige sinalização e câmera de monitoramento não substitui obras de segurança.

A própria União reconhece a necessidade de grandes investimentos no sistema rodoviário. O projeto da nova concessão prevê bilhões de reais em obras, incluindo duplicações, faixas adicionais, acostamentos e outras intervenções.

E aqui está uma das principais cobranças que precisam ser feitas: quem circula pelas BRs quer saber quando essas melhorias sairão do papel e começarão a aparecer de fato na pista.

A antiga concessão da ViaBahia foi encerrada em 2025, e os trechos passaram para a administração federal. Desde então, o DNIT assumiu a responsabilidade pelas rodovias enquanto o processo para uma nova concessão avançava. 

Agora, com uma nova concessão já definida, a expectativa é que o discurso de investimentos se transforme em obras concretas.

Para o motorista, pouco importa quem aparece no contrato ou qual órgão administra a estrada. O que interessa é viajar com segurança, encontrar uma pista em boas condições, ter atendimento rápido quando ocorrer um acidente e não ficar exposto a riscos que poderiam ser evitados.

Os R$ 81,5 milhões destinados à operação podem representar um avanço no atendimento aos usuários. Mas também deixam uma pergunta inevitável: quanto tempo ainda será necessário para que as BRs-324 e 116 tenham, além de atendimento às ocorrências, a infraestrutura que uma das principais ligações rodoviárias da Bahia realmente exige?

 

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