Uma ofensiva de grande escala realizada pela Rússia durante a madrugada desta segunda-feira (15) deixou ao menos nove mortos em diferentes regiões da Ucrânia e causou danos significativos a importantes símbolos históricos e religiosos da capital, Kiev.

Segundo autoridades ucranianas, dezenas de mísseis e centenas de drones foram lançados contra o país durante a noite. Grande parte dos artefatos foi interceptada pelos sistemas de defesa aérea, mas alguns conseguiram atingir áreas urbanas, provocando destruição e vítimas.

Entre os locais afetados está a tradicional Catedral da Dormição, situada no complexo monástico de Pechersk Lavra, considerado um dos principais centros religiosos da Ucrânia e reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. O ataque provocou incêndios e obrigou moradores a buscar abrigo enquanto explosões eram registradas em diversos pontos da cidade.

O bombardeio também atingiu o estúdio nacional de cinema Oleksandr Dovzhenko, conhecido por abrigar um valioso acervo cultural ligado à história cinematográfica ucraniana.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, condenou o ataque e classificou os danos ao patrimônio religioso como um grave atentado contra a cultura cristã. O líder ucraniano voltou a pedir maior apoio internacional e reforço nos sistemas de defesa aérea do país.

Moscou, por sua vez, negou ter atacado a catedral. Autoridades russas afirmam que os danos teriam sido causados por um míssil de defesa antiaérea ucraniano. A versão, entretanto, foi contestada por Kiev após a localização de destroços de drones próximos ao complexo religioso.

A repercussão internacional foi imediata. O governo ucraniano informou que pretende acionar a Unesco e outros organismos internacionais para denunciar os danos causados ao patrimônio histórico. Autoridades francesas também manifestaram preocupação com o episódio, comparando a gravidade do ocorrido a um eventual ataque contra a famosa Catedral de Notre-Dame.

Mesmo diante da destruição, funcionários do mosteiro tocaram os sinos do complexo ao amanhecer, em um gesto simbólico de resistência enquanto equipes de emergência trabalhavam para controlar os incêndios.

O novo ataque ocorre em meio a esforços diplomáticos para tentar encontrar uma solução para a guerra. No domingo, Zelenskyy revelou ter conversado com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis caminhos para encerrar o conflito, que já dura mais de quatro anos e continua causando perdas humanas e materiais em larga escala.

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