Um sargento da reserva remunerada da Polícia Militar voltou ao sistema prisional após nova decisão judicial relacionada às investigações que apuram a atuação de uma milícia armada no oeste da Bahia. A prisão foi cumprida durante uma ação do Ministério Público do Estado (MP-BA), no âmbito da chamada Operação Terra Justa.

De acordo com o MP-BA, o Tribunal de Justiça da Bahia determinou a prisão preventiva de Carlos Erlani Gonçalves dos Santos, suspendendo a liberdade que havia sido concedida anteriormente. A Justiça acolheu os argumentos apresentados pelo órgão ministerial, que apontou a gravidade dos crimes investigados e o risco representado pela soltura do acusado.

As investigações indicam que o grupo investigado atua há mais de dez anos na região oeste do estado, com maior incidência no município de Correntina. A milícia é suspeita de envolvimento direto em conflitos agrários, com registros de ameaças, agressões físicas, destruição de imóveis e expulsão de comunidades tradicionais. Segundo os investigadores, empresas de segurança privada eram utilizadas como fachada para encobrir as ações criminosas.

Na primeira fase da operação, o sargento foi denunciado por crime de milícia armada. Já na etapa seguinte, passou a responder também por organização criminosa e lavagem de dinheiro. O MP aponta que o esquema teria sido estruturado para ocultar e dissimular recursos obtidos de forma ilícita.

Relatórios da investigação revelam movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelo investigado, somando mais de R$ 29 milhões entre 2021 e 2024. Há ainda indícios de negociações envolvendo armamento de alto poder ofensivo e práticas conhecidas como “pistolagem”.

O caso também envolve outros integrantes das forças de segurança. Em setembro deste ano, um tenente-coronel da Polícia Militar foi preso em Santa Maria da Vitória, suspeito de acobertar ações da milícia. Conforme as apurações, ele teria recebido pagamentos mensais de R$ 15 mil, repassados pelo sargento investigado no mesmo período.

O Ministério Público informou que, antes da concessão da liberdade provisória, Carlos Erlani permanecia preso por força de duas decisões preventivas em processos distintos, ambos vinculados à Operação Terra Justa. No recurso apresentado, o órgão destacou que a soltura desconsiderava a periculosidade do acusado e o risco de rearticulação do grupo criminoso, além de possíveis ameaças à ordem pública, à instrução processual e à segurança de vítimas e testemunhas.

A investigação segue em andamento, e novas medidas não estão descartadas.

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