O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (8) uma proposta que impede o presidente Donald Trump de lançar novas operações militares contra a Venezuela sem antes obter autorização do Congresso. A votação foi apertada: 52 votos a favor e 47 contra, com apoio incomum de cinco senadores do Partido Republicano.
A iniciativa, liderada pelo senador democrata Tim Kaine (Virgínia), não proíbe ações passadas, mas exige que qualquer nova ofensiva contra Caracas ou forças venezuelanas tenha o respaldo formal dos parlamentares, um passo que reacende o debate sobre os limites constitucionais do poder executivo em decisões de guerra.
A votação refletiu um desconforto raro entre legisladores de diferentes partidos diante da política externa adotada pela Casa Branca nos últimos dias, especialmente após uma operação militar que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa.
Cinco senadores republicanos, Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins, Todd Young e Josh Hawley, contrariaram a orientação do líder do partido ao votar com os democratas pela medida.
O que diz a resolução
O texto aprovado no plenário determina que qualquer uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades contra a Venezuela só pode ocorrer com autorização prévia do Congresso ou uma declaração de guerra formal. Isso inclui operações que vão além da atual presença militar já em curso.
A resolução ainda não virou lei. Ela precisa retornar ao Senado para votação final e ser aprovada pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos têm maioria. Mesmo que siga adiante no Congresso, o presidente Trump prometeu vetar a medida, o que exigiria um apoio de dois terços nas duas casas para ser derrubado cenário improvável no momento.
Reações e tensão política
A movimentação no Congresso emerge em meio a crescente preocupação com a estratégia de Trump na América Latina. Senadores tanto democratas quanto alguns republicanos expressaram que a Constituição reserva ao Legislativo a prerrogativa de decidir sobre guerras e ações militares prolongadas.
O episódio também expõe fissuras internas no Partido Republicano, com alguns parlamentares discordando publicamente da condução da Casa Branca e defendendo a importância do escrutínio parlamentar.
Caminho adiante
Mesmo com a aprovação no Senado, a resolução enfrenta um caminho difícil:
- Passar pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos dominam;
- Possível veto de Trump, que já sinalizou resistência à iniciativa;
- Dificuldade de obter votos suficientes para derrubar um eventual veto.
Especialistas políticos ouvidos por veículos internacionais interpretam a medida como um sinal de alerta do Congresso contra a expansão de poderes executivos sem supervisão legislativa, especialmente após ações controversas no exterior.