O Ministério da Saúde determinou que estados e municípios mantenham em estoque as doses da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan até que uma nova avaliação sobre a segurança do imunizante seja concluída. A orientação foi divulgada após a suspensão temporária da aplicação da vacina em todo o país.

A medida foi adotada depois que o sistema de vigilância do Programa Nacional de Imunizações identificou 42 registros de reações graves em pessoas vacinadas. Além disso, duas mortes estão sendo investigadas para verificar se existe alguma relação com o imunizante.

Segundo o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, as doses já distribuídas não devem ser descartadas, mas armazenadas adequadamente enquanto os estudos seguem em andamento. O governo federal também interrompeu, por enquanto, o envio de novas remessas aos estados.

Entre os eventos adversos relatados estão sintomas como dores abdominais intensas, vômitos persistentes, episódios de sangramento e perda de consciência. Três pessoas apresentaram quadros compatíveis com dengue grave e precisaram ser internadas.

Até o fim de maio, mais de 501 mil pessoas haviam recebido a vacina do Butantan. A imunização foi aplicada em profissionais de saúde e moradores com mais de 15 anos de idade em áreas selecionadas de São Paulo, Ceará, Minas Gerais e Tocantins.

De acordo com o Ministério da Saúde, a interrupção tem caráter preventivo e não representa, neste momento, uma conclusão de que a vacina seja insegura ou tenha perdido sua eficácia. Os casos registrados são considerados incomuns e não haviam sido observados durante as fases de testes clínicos.

A pasta orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas como febre, dores no corpo, manchas na pele, sangramentos ou vômitos. Em caso de qualquer sinal suspeito, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação médica.

Já quem recebeu a vacina há mais de três semanas não apresenta risco relacionado aos eventos investigados e continua protegido contra a doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, o imunizante tem eficácia de cerca de 65% na prevenção da dengue e supera 80% na redução de casos graves e internações.

Um grupo de especialistas será responsável por analisar os registros identificados pela vigilância epidemiológica. Somente após a conclusão dessa avaliação o governo decidirá se a vacinação será retomada e em quais condições.

Enquanto isso, a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica japonesa Takeda Pharmaceutical Company, segue sendo aplicada normalmente pelo SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Até o momento, não há alertas de segurança relacionados a esse imunizante.

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