As investigações que resultaram na prisão de 10 advogados na Bahia também têm como foco 12 detentos apontados pelas autoridades como integrantes da cúpula de organizações criminosas com atuação em diferentes regiões do estado. Segundo a apuração policial, mesmo recolhidos ao sistema prisional, eles continuariam exercendo influência sobre atividades criminosas por meio de contatos externos.
A ação faz parte da Operação Sintonia de Gravata, que apura a suposta utilização de profissionais da advocacia para intermediar comunicações entre presos e integrantes de facções em liberdade. De acordo com os investigadores, o esquema teria sido usado para manter a coordenação de crimes relacionados ao tráfico de drogas, circulação de armas e outras práticas ilícitas.
Além das prisões dos advogados, a operação cumpriu novos mandados contra os detentos já custodiados e realizou 15 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades baianas.
Conforme as investigações, os presos são apontados como lideranças ligadas às facções Bonde do Maluco (BDM), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles foram identificados como:
- Gleidson Bonfim do Nascimento (BDM), com atuação em Lauro de Freitas;
- Ian Pedro Santos (CV), com atuação em Casa Nova;
- José Lucas Silva Rocha, conhecido como “Índio” (CV), com atuação em Eunápolis;
- Leandro da Conceição Santos, conhecido como “Léo Gringo” ou “Shantaram” (BDM), com atuação em Lauro de Freitas;
- Manoel Luiz dos Santos Neto, conhecido como “Honda” (CV), com atuação em Juazeiro;
- Marlos Araújo Souza Júnior, conhecido como “Bolão” (BDM), com atuação em Senhor do Bonfim;
- Victor de Freitas Silva, conhecido como “da Jega” (CV), com atuação em Feira de Santana;
- Wesley William Alves dos Santos (PCC), com atuação em Juazeiro;
- Averaldo Ferreira da Silva Filho, conhecido como “Averaldinho” (BDM), apontado como liderança na região do Calabar, em Salvador;
- Décio Douglas Silva Oliveira, conhecido como “Vaqueiro” (BDM), com atuação em Bom Jesus da Lapa;
- Fábio Santana Oliveira, conhecido como “Panda” (CV), com atuação em Capim Grosso;
- Francileno de Jesus Nunes, conhecido pelos apelidos “Su”, “Coroa” e “Mineiro” (CV), com atuação em Vitória da Conquista.
As investigações continuam para apurar a extensão da suposta rede de comunicação entre integrantes das facções e pessoas que estavam fora do sistema prisional. Até o momento, as acusações são baseadas na investigação conduzida pelas autoridades, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo.